Paulo Portas começou por elogiar o trabalho da nova presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, na escolha dos novos comissários onde se inclui a portuguesa Elisa Ferreira.

"Von Der Leyen conseguiu guardar a confidencialidade quanto às pastas dos comissários, conseguiu respeitar o principio da paridade que ela própria fixou. Ao colocar 3 vices – um do PPE, um do Partido Socialista e outro dos Liberais – pôs-se acima dos partidos. E isso não estava previsto inicialmente. E, finalmente, acho que ela definiu bem as prioridades".

No entanto, para o comentador da TVI, a comissão de Von Der Leyen tem um ponto controverso.

"Von Der Leyen tem uma Comissão em que, não é culpa dela, mas vai ter de gerir isso, ela tem muitos generais para poucos índios. São oito vice-presidentes num total de 26 comissários. É muita gente a disputar competências”.

A presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresentou na terça-feira, um a um, os seus 26 comissários e respetivas pastas, num colégio que conta com uma paridade de género inédita: serão 14 homens e 13 mulheres.

Elisa Ferreira vai ficar com a pasta Coesão e Reformas na Comissão Europeia.

Brexit

"A próxima semana é determinante na vida dos britânicos". Foi desta forma que Paulo Portas abordou a instabilidade política vivida no Reino Unido por causa da suspensão do Parlamento e da saída da União Europeia.

"A batalha judicial segue, o supremo tribunal vai tomar uma decisão sobre a suspensão do Parlamento, isso pode ser, ou não, um dissabor para o Governo, e há conversas em Bruxelas entre Boris Johnson e o presidente da Comissão cessante", afirmou Portas.

Mas, para o comentador da TVI, nesta instabilidade britânica, "o que é que une os ingleses num momento em que o país está dividido"?

"A Rainha (…) porque a “Rainha não fala, murmura. Não toma partido. E é por isso que é respeitada pelos ingleses”, lembrou.

Trump e a saída de Bolton

Paulo Portas considerou positiva a saída de John Bolton do cargo de conselheiro de segurança nacional do governo de Donald Trump. Para o comentador da TVI, "o mundo fica melhor sem John Bolton" porque o antigo conselheiro de Trump "não é uma pessoa equilibrada".

“O que distingue John Bolton de Donald Trump é que Trump é um isolacionista – quer retirar os EUA da agenda internacional – Bolton é um expansionista – é o contrário disso. Desse ponto de vista, Trump não quer os americanos em nenhuma guerra internacional. O que se passa no governo dos EUA é uma rotação que torna impossível a estabilidade das políticas”, considerou Portas.

Draghi e os juros

O comentador da TVI analisou ainda o novo plano de compra de dívida pública no valor de 20 mil milhões de euros por mês anunciado por Mario Draghi, presidente do BCE.

Para Paulo Portas, Mario Draghi "tem receio que a economia alemã entre em recessão", mas considera que o governador do Banco Central Europeu vai ficar na história por ser o único "que nunca subiu os juros".

“Se é verdade que Mario Draghi passará à história, e isso ninguém lhe pode tirar, por ter defendido o euro num momento mais crítico no meio da crise financeira, mas a verdade é que Mario Draghi, se considerarmos as taxas utilizadas pelos bancos de referencia também vai passar à história como o único governador do Banco Central que nunca subiu os juros".