O Conselho Nacional do PSD reúne-se esta quinta-feira em Lisboa, com a marcação das diretas e do congresso na agenda, mas com um pedido de última hora de Rui Rio para que só o faça depois da votação do Orçamento do Estado (OE2022).

Na quarta-feira à tarde, a direção enviou aos conselheiros a proposta de realização das eleições diretas para escolher o presidente do PSD para 4 de dezembro (dia do aniversario da morte do fundador Francisco Sá Carneiro), com uma eventual segunda volta no dia 11, caso nenhum candidato obtivesse mais de 50% dos votos.

A proposta da Comissão Política Nacional (CPN) apontava para a realização do 39.º Congresso do PSD entre 14 e 16 de janeiro, em Lisboa, numa antecipação de cerca de um mês em relação aos dois anteriores atos eleitorais internos.

Os conselheiros nacionais receberam, além desta proposta, uma “hipótese de cronograma”, em que as diretas se realizariam em 8 de janeiro (com eventual segunda volta dia 15) e o Congresso entre 4 e 6 de fevereiro.

No entanto, a direção frisava que esta segunda hipótese só seria votada em caso de chumbo da primeira (e não em alternativa), por entender “não servir os interesses do partido” e prolongar "por demasiado tempo o momento do ato eleitoral, prejudicando toda a atividade política normal, com o consequente desgaste político natural resultante destes atos eleitorais”.

Cenário de chumbo do OE2022

Cerca de duas horas depois de este calendário ter sido enviado aos membros do Conselho Nacional, o presidente do PSD, Rui Rio, convocou os jornalistas para uma declaração no Parlamento, motivada por um “facto político muito relevante”: a possibilidade de o Orçamento do Estado (OE) para 2022 ser chumbado e o Presidente da República ter avisado que esse cenário "muito provavelmente" conduziria à dissolução do Parlamento e a legislativas antecipadas em janeiro.

O que entendo que seria de bom tom era que este Conselho Nacional fizesse a análise das autárquicas, não marcaria diretas, e ficaria marcado um Conselho Nacional para depois da aprovação ou não do OE. Se o OE for aprovado, há condições para diretas, se não for, não vejo como o partido pode fazer internas e legislativas ao mesmo tempo”, disse, apelando a que os conselheiros ponderem esta proposta, em nome "do interesse nacional e do partido".

O tom do Conselho Nacional, marcado para as 21:00 em Lisboa, poderá mudar depois deste apelo, numa altura em que não existem ainda candidatos assumidos à liderança do PSD e se aguarda pela clarificação por parte de Rui Rio - se é ou não recandidato - e pela confirmação do eurodeputado Paulo Rangel de que avançará para nova disputa da presidência social-democrata.

Rio mantém desde a noite eleitoral autárquica, há mais de duas semanas, o silêncio sobre uma eventual recandidatura, apesar de, logo na madrugada de 27 de setembro, ter considerado que o partido teve “um excelente resultado”, que o coloca em “melhores condições de vencer as eleições” legislativas de 2023.

/ CM