A juíza Tânia Loureiro Gomes mandou retirar da casa de João Rendeiro a coleção de obras de arte apreendidas ao ex-banqueiro, tendo a Polícia Judiciária constatado que, dos 124 quadros que a constituem, 15 estão em falta e outros dois não correspondem à descrição feita na altura da apreensão, em 2010. 

A TVI sabe que, segundo o despacho da juíza, há obras que, ainda que correspondendo à descrição feita na altura da apreensão, poderão ter sido falsificadas.

As obras de arte foram apreendidas para garantir o pagamento de indemnizações aos lesados do BPP, sendo a fiel depositária da coleção Maria de Jesus Rendeiro, a mulher do ex-banqueiro. Estavam apreendidas desde 2010 e, nessa altura, a PJ não mencionou qualquer suspeita de falsificação das obras de arte, de artistas como Julião Sarmento ou Helena Almeida.

Maria de Jesus Rendeiro terá admitido que as obras de arte, durante estes anos em que estiveram à sua guarda, podem ter sido movimentadas e mudadas de sítio, estando fora da sua residência de Cascais. Poderá assim incorrer num crime de descaminho, punível com cinco anos de prisão. 

Recorde-se que João Rendeiro está em fuga, tendo saído de Inglaterra num jacto particular para paradeiro incerto. Na segunda-feira, a PJ passou mais de oito horas na casa do ex-banqueiro, para verificar a coleção de arte avaliada em vários milhões de euros.

A 28 de setembro, o ex-presidente do BPP foi condenado a três anos e seis meses de prisão efetiva num processo por crimes de burla qualificada. 

Em maio deste ano, o tribunal condenou Rendeiro a 10 anos de prisão efetiva pelos crimes de fraude fiscal, abuso de confiança e branqueamento de capitais num processo extraído do primeiro megaprocesso de falsificação de documentos e falsidade informática.

Em julho de 2020, em outro processo também relacionado com o BPP, Rendeiro tinha sido condenado a cinco anos e oito meses de prisão efetiva.

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Henrique Machado