Bruno de Carvalho e Mustafá ainda não foram interrogados, esta terça-feira, no Tribunal do Barreiro, avançou fonte ligada ao processo à TVI. As diligências só se devem realizar esta quarta-feira, pelas 10:00. Sofreram atrasos por causa da greve dos funcionários judiciais.

Tendo em conta os inúmeros documentos cuja consulta os ilustres defensores dos arguidos solicitaram, não foi possível reiniciar a diligência na altura aprazada, 14:30, tendo só agora, pelas 15:45 horas, sido possível entregar àqueles defensores, para apreciação, as cópias dos documentos solicitadas", lê-se no comunicado do Juízo de Instrução Criminal do Barreiro.

Na mesma nota, informa-se que, tendo em conta que a greve parcial dos funcionários judiciais se reiniciou às 16:00, os trabalhos foram suspensos e serão retomados às 10:00 de quarta-feira.

A mesma fonte adiantou à TVI que os arguidos foram identificados, para que se cumprisse o prazo de 48 horas depois da detenção, até serem presentes a um juiz. O Sindicato dos Funcionários Judiciais avança que pode ter havido mais alguma deligência para além da mera investigação, mas é uma informação que não foi ainda confirmada. 

As defesas poderão já ter acesso ao processo, mas não se entrou na fase dos interrogatórios a nenhum dos arguidos, precisamente por causa do protesto dos funcionários judiciais, que estiveram parados até às 11:00 e voltaram a parar às 16:00. 

Isto significa que tanto Bruno de Carvalho como Mustafá deverão recolher aos postos territoriais da GNR ou a estabelecimento prisional, onde deverão pernoitar, até serem presentes ao juiz para primeiro interrogatório judicial. 

O ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho e o líder da Juventude Leonina Mustafá entraram perto das 09:30 no Tribunal do Barreiro, onde deveriam ser interrogados por um juiz no âmbito da investigação ao ataque à Academia, para aplicação de medidas de coação. O interrogatório estava previsto para as 10:00, mas foi adiado para às 11:00, quando terminou a greve dos funcionários judiciais. Nessa altura, os arguidos foram presentes ao juiz, mas apenas foram identificados. 

Bruno de Carvalho e Mustafá foram detidos no domingo, com base em mandados de detenção emitidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

O ex-presidente do Sporting, detido nas instalações da GNR de Alcochete, está indiciado por 56 crimes: dois crimes de dano com violência, 20 crimes de sequestro, um crime de terrorismo, 12 crimes de ofensa à integridade física qualificada, um crime de detenção de arma proíbida e 20 crimes de ameaça agravada.

Mustafá também é suspeito de instigar o ataque à Academia.

Em 15 de maio, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, por um grupo de cerca de 40 alegados adeptos encapuzados, que agrediram alguns jogadores, membros da equipa técnica e outros funcionários.

A GNR deteve no próprio dia 23 pessoas e efetuou posteriormente mais detenções, que elevaram para 38 o número de detidos, todos em prisão preventiva, entre os quais está o antigo líder da Juventude Leonina Fernando Mendes.

Do ataque resultou o pedido de rescisão de nove futebolistas, alegando justa causa - alguns dos quais recuaram na decisão -, e levou à constituição de 38 arguidos, suspeitos da prática de diversos crimes, designadamente, terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Bruno de Carvalho, que à data dos acontecimentos liderava o clube de Alvalade, foi destituído em 23 de junho e impedido de concorrer às eleições para a presidência do clube, das quais resultou a eleição de Frederico Varandas, atual presidente do Sporting.