Espanha decidiu suspender a vacinação contra a covid-19 com a vacina da AstraZeneca em pessoas com menos de 60 anos. A decisão surge depois de a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter admitido uma "possível ligação" entre este produto e os raros casos de coágulos sanguíneos verificados na Europa, na grande maioria em pessoas mais novas que 60 anos.

Apesar da ligação, o regulador europeu reiterou que os benefícios continuam a ultrapassar os riscos, pedindo aos países da União Europeia que tomassem uma medida conjunta, depois de os ministros da Saúde dos 27 Estados-membros terem estado reunidos de emergência para discutir a situação.

Assim, Espanha dá nova reviravolta na aplicação do produto, que tem estado envolvido em múltiplas polémicas.

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Esta suspensão é temporária, e teve a resistência da comunidade de Madrid, que foi a única região espanhola a não concordar com a decisão. Por agora, o grande efeito desta suspensão será sentido na vacinação de profissionais de saúde, professores e polícias.

A suspensão da vacina da AstraZeneca foi uma proposta que o governo espanhol levou à reunião dos ministros europeus da Saúde, mas que acabou por não reunir consenso. Assim, Espanha decidiu avançar de forma unilateral para a decisão.

Novas recomendações estão também em prática na Bélgica e em Itália. No primeiro caso, a vacinação fica suspensa para os menores de 55 anos, enquanto no segundo só será dada a vacina da AstraZeneca a maiores de 60 anos nos casos de pessoas que tenham recebido a primeira dose daquela vacina.

Anteriormente à decisão da EMA, França já tinha limitado a vacina a maiores de 55 anos, enquanto a Alemanha e os Países Baixos cifraram a idade em 60 anos. Por último, Suécia e Finlândia só estão a vacinar pessoas com mais de 65 anos.

Também o Reino Unido, país bandeira da vacinação com AstraZeneca (produzida em parceria com a universidade britânica de Oxford), decidiu desaconselhar a vacinação aos menores de 30 anos, naquela que foi a primeira decisão do país que afetou a vacina em causa.

Mas a comunicação da EMA também se faz sentir fora da União Europeia. Se México ou Brasil reiteraram a confiança na vacina, a Austrália e as Filipinas decidiram suspender a vacinação em menores de 60 anos.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, anunciou que a vacina do laboratório anglo-sueco, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, não deve continuar a ser administrada naquele país a pessoas com menos de 50 anos, a menos que já tenham recebido uma primeira dose sem efeitos secundários.

Na semana em que foram reportados os primeiros casos de coágulos foram vários os países a suspender a vacina da AstraZeneca de forma total, como foi o caso de Portugal. Antes, e por falta de resultados em estudos científicos, a vacina tinha sido desaconselhada aos menores de 65 anos, para agora o cenário ser o oposto.

António Guimarães