A líder do Bloco de Esquerda voltou a afirmar esta terça-feira que o Orçamento do Estado para 2022, sem alterações abrangentes, terá um voto negativo do partido. No Hospital de Setúbal, onde denunciou a falta de pessoal médico para enfrentar a procura, Catarina Martins sublinhou que a proposta do Governo não contempla "nenhuma medida que permita fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde".

Esse facto, na ótica da coordenadora do BE, leva a que situações como o concurso para os médicos de família - que ficou vazio em mais de 50% em Lisboa e Vale do Tejo - façam com que "haja um milhão de utentes sem médico de família".

 

Esta é uma solução intolerável. Nós precisamos de garantir que o SNS funciona. Os profissionais de saúde estiveram dois anos sem férias a fazerem tudo o que podiam para combater a pandemia. Não basta promessas e palmas, é preciso condições concretas", diz, afirmando que o Hospital de Setúbal precisava de 33 médicos e só concorreram oito.

Catarina Martins, que reuniu durante a tarde com a administração demissionária do Hospital de Setúbal, aponta ainda que vários enfermeiros especialistas estão a desistir do Serviço Nacional de Saúde por terem as suas carreiras "completamente bloqueadas" ao fim de 15 anos. "O Governo não muda uma única regra que permita preencher estes concursos".

O que nos divide do Governo não são os milhões para a saúde, são as regras pelas quais esses milhões serão executados. Não nos adianta nada termos um Orçamento do Estado que promete mais contratações se, como não se mexe nada nas regras do SNS, os concursos vão continuar a ficar vazios. É aqui que falha, o Governo quer manter tudo na mesma", critica.

Catarina Martins diz ainda que recebeu a proposta do Orçamento do Estado como "uma enorme desilusão" e "um balde de água fria" e denuncia que o Estado tem gasto 150 milhões de euros em prestadores de serviço para as urgências em falsos recibos verdes todos os anos. "Há empresas intermediárias a ganhar dinheiro com isto. É o mesmo valor que o ministro das Finanças se vem vangloriar nas diferenças do IRS".