O advogado de José Sócrates, Pedro Delille, considera que Operação Marquês é "um cancro que existe na Justiça", mas que o seu cliente "teve uma vitória tremenda".

Alegadas perseguições políticas e financeiras a "determinadas pessoas" e falta de imparcialidade do Tribunal da Relação no processo foram dois dos argumentos enumerados pelo advogado em entrevista à TVI24, no rescaldo da fase instrutória.

À semelhança do ex primeiro-ministro, o advogado apontou que a distribuição do processo a Carlos Alexandre "foi criminosa".

O advogado acusou o Ministério Público de ter tido a “intenção de deturpar os factos” e de “manipular a Justiça” na acusação, alegando que “não há erros deste tamanho”.

Não há erros deste tamanho, nem dos senhores procuradores que fizerem a acusação e a investigação, nem dos investigadores que estiveram na acusação, nem do doutor Carlos Alexandre quando interveio no processo”, afirmou.

Segundo o advogado do ex-primeiro-ministro, a acusação da Operação Marquês teve a “intenção de deturpar os factos, de manipular a Justiça e de se servir do poder da Justiça para fazer perseguição política, económica e financeira”.

Na mesma ótica, quando questionado se houve uma perseguição de cariz político, foi claro: “Não se faz isto por acaso”. 

Dr. Ivo Rosa tem um histórico de ser perseguido em relação a decisões” que toma, o que “nunca tinha acontecido em Portugal”.

“Nunca, em Portugal, se viu um juiz, sem qualquer razão para isso, ser vítima da perseguição que o doutor Ivo Rosa foi”, disse.

Paralelamente, sugeriu ainda que a acusação só vingaria numa vitória de secretaria: "Este processo não se analisa em dois ou três meses", destacou, pedindo à classe jornalística que investigue as decisões do Tribunal da Relação.

O Tribunal da Relação não pode continuar a trabalhar assim", afirmou, colocando em causa a imparcialidade de "determinadas pessoas".

"José Sócrates vai defender-se desta acusação"

O advogado adiantou que o antigo primeiro-ministro vai defender-se da acusação, que considera "absolutamente injusta". No entanto, se a defesa será em julgamento ou em recurso, ainda é uma questão ainda a ser discutida.

Pedro Delille, que assegurou que ainda não analisou a decisão do juiz Ivo Rosa, referiu ainda ter dúvidas sobre se o Ministério Pública vai, efetivamente, recorrer da decisão instrutória conhecida hoje sobre este processo judicial.

“Eu não sei se vai haver um recurso”, disse o advogado, alegando que, se “não quiser ser mais arrastado”, o Ministério Público vai refletir se deve deixar o processo “ir para julgamento como está”.

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O juiz de instrução criminal Ivo Rosa decidiu mandar para julgamento o ex-primeiro ministro José Sócrates, o seu amigo e empresário Carlos Santos Silva, o ex-ministro Armando Vara, o banqueiro Ricardo Salgado, todos por crimes económicos e financeiros, mas deixou cair as acusações de corrupção e fraude fiscal.

Dos 28 arguidos, Ivo Rosa pronunciou apenas estes cinco e ilibou, entre outros, os ex-líderes da PT Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, o empresário Helder Bataglia e o ex-administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca, que estava indiciado por 21 crimes.

Dos 189 crimes que constavam na acusação, num processo que começou a ser investigado em 2013, só 17 vão a julgamento, mas o procurador Rosário Teixeira, responsável pelo inquérito, anunciou que ia apresentar recurso da decisão para o Tribunal da Relação de Lisboa.

Rafaela Laja