O ano é novo mas as medidas de combate à covid-19 são velhas conhecidas para algumas das maiores economias da Europa, que, já com a vacinação em curso, agravaram as restrições, recuperando confinamentos e fechando escolas.

O alívio das medidas no Natal e Ano Novo, associado à menor testagem no período das festas, está a refletir-se nos números da pandemia, com muitos países a baterem recordes de novos casos e mortes diárias desde o final de dezembro.

Portugal prolongou, nesta quarta-feira, o estado de emergência até 15 de janeiro, mantendo as medidas mais restritivas para os concelhos nos níveis de risco elevado, muito elevado e extremamente elevado, mas a situação epidemiológica atual é, segundo os especialistas, pior do que nos países que optaram por medidas mais restritivas, como Alemanha e Inglaterra.

Veja também:

Numa altura em que o primeiro-ministro britânico anunciou, esta semana, um confinamento de seis semanas em Inglaterra, resumimos abaixo algumas das principais medidas em vigor na Europa.

Inglaterra

Boris Johnson anunciou, na segunda-feira, um confinamento de seis semanas para conter a aceleração da pandemia em Inglaterra, incluindo o encerramento das escolas até pelo menos 5 de fevereiro. Só pode sair de casa quem se enquadrar nos motivos restritos previstos na lei, como para comprar bens essenciais, trabalhar se não o puder fazer de casa, fazer exercício, ter assistência médica, ou escapar a violência doméstica. Devido ao agravamento da situação epidémica, o governo britânico já tinha determinado um recomeço faseado das aulas em Inglaterra, mas tem estado sob pressão para manter as escolas fechadas por questões de segurança.

Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, e os chefes de governo dos 16 Estados federais concordaram na terça-feira em estender as atuais restrições até 31 de janeiro e endurecer algumas delas, principalmente aquelas relacionadas com reuniões privadas. As escolas e o comércio não essencial vão continuar encerrados, o que acontece desde 16 de dezembro, assim como as atividades nos setores do lazer, desporto, cultura e restauração, que deixaram de funcionar desde o início de novembro. Por outro lado, a Alemanha concordou que em áreas onde a incidência cumulativa em sete dias ultrapassar 200 casos por 100.000 habitantes, a movimentação dos seus habitantes será limitada a um raio de 15 quilómetros da sua residência. Não são permitidos ajuntamentos com mais de cinco pessoas.

França

Em França, o governo decidiu aplicar medidas mais restritivas a 15 zonas administrativas, onde os números de contágio dispararam, aumentando o período do recolher obrigatório, que passa a vigorar entre as 20 horas e as 06:00 dia seguinte. Em todo o país, cafés, restaurantes, ginásios, museus, cinemas e teatros continuam encerrados, apesar de o governo ter prometido a reabertura de museus e cinemas para 7 de janeiro. As escolas regressaram à atividade normal na segunda-feira, após as férias natalícias.

Irlanda

O confinamento na Irlanda foi intensificado pela segunda vez nas últimas duas semanas, devido à explosão de novos casos que ameaçam esgotar as capacidades de resposta dos serviços de saúde. O governo irlandês pondera, neste momento, novas medidas restritivas.

Espanha

No país vizinho as restrições são avaliadas e aplicadas a nível regional, com a Catalunha entre as regiões alvo de medidas mais restritivas desde 31 de dezembro, como a proibição de sair do concelho de residência e apenas lojas essenciais abertas ao fim de semana. Ginásios e centros comerciais estão fechados, e os restaurantes e bares podem abrir ao público para pequenos-almoços e almoços, mas têm de encerrar no período do jantar, possível apenas através de takeaway. Já em Madrid, que tem uma das mais altas taxas de contágio do país, o confinamento aplica-se apenas aos concelhos mais afetados, com os restaurantes e as lojas não essenciais a manterem-se abertos.

Itália

Em Itália mantém-se em vigor o recolher obrigatório entre as 10 horas e as 05:00 do dia seguinte e as escolas secundárias vão continuar encerradas, pelo menos até à próxima semana. Os restaurantes e bares têm de fechar até às 18 horas e estão encerrados ao fim de semana.

Países Baixos

O país entrou em confinamento total a meio de dezembro, com restrições que fecharam escolas, bares, restaurantes, teatros e outros locais públicos e impôs limites estritos para reuniões (máximo de dois contactos diários) para fazer face a uma das taxas de infeção mais altas da Europa. As escolas e universidades estão encerradas até 19 de janeiro, pelo menos, e o teletrabalho deve ser a opção preferencial.

Suécia

A Suécia, que durante meses não considerou sequer a possibilidade de pedir aos cidadãos para usarem máscara na rua, decidiu em dezembro, face à evolução da pandemia no país, recomendar o uso de máscara nos transportes públicos em hora de ponta. As escolas estão abertas para aulas presenciais apenas para alunos até aos 16 anos, com os restantes ao abrigo do ensino à distância. Apesar de os restaurantes e bares continuarem abertos, com grupos limitados a quatro pessoas, está proibida a venda de álcool a partir das 20 horas. Os serviços públicos não essenciais, como piscinas e livrarias, estão encerrados e as lojas e os ginásios estão obrigadas a um limite de clientes. Mas a partir do próximo dia 10 de janeiro, é esperado o anúncio de novas medidas restritivas.

Grécia

O executivo conservador de Atenas atenuou em dezembro o estrito confinamento imposto em 7 de novembro, com a aproximação das festas de fim de ano, e autorizou celebrações religiosas com um número limitado de fiéis nos locais de culto, onde é obrigatório o uso da máscara. Devido aos receios de uma terceira vaga, o governo decidiu no passado sábado reimpor um confinamento estrito, pondo termo às celebrações nas igrejas e encerrando o comércio não essencial.

Hungria

A Hungria fechou as fronteiras a quase todos os visitantes, incluindo cidadãos de outros países da União Europeia. O recolher obrigatório está em vigor entre as 20 horas e as 05:00 do dia seguinte.

Polónia

Confinamento na Polónia foi prolongado até 18 de janeiro, bem como o encerramento de todas as lojas não essenciais. Não são permitidos ajuntamentos com mais de cinco pessoas.

Catarina Machado