Os três suspeitos da morte de Giovani Rodrigues, detidos pela Polícia Judiciária na segunda-feira, vão aguardar julgamento em prisão preventiva, anunciou o Tribunal de Bragança.

Nos dias 8, 9 e 10 de junho de 2020 (...) decorreu primeiro interrogatório judicial de três arguidos detidos, todos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 24 e os 31 anos, tendo o tribunal proferido decisão que, em síntese, se traduz na afirmação de existência de fortes indícios da prática, por cada um dos arguidos, em coautoria material e concurso real, de três crimes de ofensa à integridade física qualificada e de um crime de homicídio qualificado consumado", lê-se no comunicado. 

Ao todo, já foram detidas oito pessoas por suspeitas de envolvimento na morte do jovem estudante.

O caso remonta a 31 de dezembro de 2019. Luís Giovani dos Santos Rodrigues, que estudava no Instituto Politécnico de Bragança, morreu no hospital após ter sido violentamente agredido na Avenida Sá Carneiro, perto de uma discoteca onde estivera com amigos.

Ao que a TVI apurou, na altura, tudo terá começado com uma discussão no interior do estabelecimento de diversão noturna, quando Giovani estava acompanhado de três amigos. Cá fora, os jovens foram abordados por um grupo de 15 pessoas. Segundo as testemunhas no local, foi ao tentar acabar com a rixa que Giovani foi agredido com um objeto contundente. 

No entanto, a autópsia do jovem foi inconclusiva, não esclarecendo se a morte foi provocada pelas agressões ou pela queda que sofreu depois quando caminhava no centro da cidade e perdeu a consciência. Já em estado de coma, foi transferido para o Hospital de Santo António, no Porto, onde esteve internado dez dias, até morrer.

Recorde-se que a PJ já tinha detido, a 16 de janeiro, cinco homens, com idades compreendidas entre os 22 e os 35 anos, indiciados pelo crime de homicídio qualificado, três deles na forma tentada. Dois encontram-se em prisão preventiva.

A investigação entende que existem “fortes indícios da prática, por cada um dos arguidos, em coautoria material e concurso real, de quatro crimes de homicídio qualificado, um dos quais consumado, sendo dele vítima Giovani Rodrigues, e os restantes três na forma tentada”.

Tanto as autoridades policiais como judiciais vincaram “não ter sido apurado qualquer indício no sentido de os factos praticados pelos arguidos terem sido determinados por ódio racial ou gerado pela cor, origem étnica ou nacionalidade das vítimas”.

O diretor nacional da PJ, Luís Neves, deslocou-se propositadamente a Bragança para garantir que o crime não teve motivação racial, tratando-se assim de um ato violento com um desfecho trágico.

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Giovani, de 21 anos, era natural da ilha cabo-verdiana do Fogo e tinha vindo em outubro para Bragança para se formar em Design de Jogos Digitais.

A morte do jovem provocou uma onda de indignação em todo o país e no estrangeiro. Realizaram-se várias vigílias pedindo justiça e atuação das autoridades chegou a ser posta em causa.

Ana Borges Pinto