O português infetado com o coronavírus Covid-19 num navio de cruzeiros no Japão foi esta terça-feira transferido para um hospital na cidade de Okazaki, na província de Aichi. Foi transportado de autocarro em direção ao Fujita University Health Hospital, um hospital recém-construído e cuja inauguração estava prevista para abril.

A mulher de Adriano Maranhão, em declarações à TVI, disse da última vez que falou com o marido este "estava com medo", uma vez que saiu do navio e está agora "num mundo todo novo"

Está triste, está com medo, não sabe o que é que lhe vai acontecer porque a única carta que lhe deram a acompanhar a ida dele está em japonês", disse Emmanuelle Maranhão. 

Confessou que a sua principal preocupação é o facto de Adriano Maranhão ter saído do navio de cruzeiro Diamond Princess sem o relatório médico em inglês. Referiu ainda que o único documento que lhe deram está em japonês. 

Tem de haver um relatório com os impressos da Princess, que tenha todos os detalhes (...) para que eu também possa dar encaminhamento. E, não tendo isso, já estamos novamente perante uma falha. Já estamos perante uma nova tentativa de não oficializar a questão", acrescentou.

Emmanuelle preparou um e-mail dirigido à embaixada portuguesa no Japão a solicitar o acompanhamento do marido.

Espero agora que alguém vá junto destas autoridades e acompanhá-lo, não digo estarem ao lado dele, obviamente, porque ele vai estar em isolamento, mas alguém tem de estar lá a representar a família, a representar Portugal, a representar este português, já que a empresa também tem um representante, mas pelos vistos não o consigo encontrar em lado nenhum”, disse em declarações à Lusa.

Ou seja, defendeu, “é muito importante que o Governo neste momento não saia do lado dele”.

Afinal, sublinhou, “a embaixada tem de lá estar para o ajudar… a traduzir, a perceber o que está a acontecer com ele, o que é que lhe vão fazer, quais são os resultados… porque se não falarem inglês ou ele não perceber, alguém tem de estar ao lado dele”.

Explicou que falou com “alguém do gabinete do Presidente da Republica” que lhe deu a garantia de estar a “tratar de abrir um canal de comunicação que faça a ponte”.

Eu não posso estar até à próxima madrugada para saber o que se passa com o meu marido, tem de haver alguém, ou próximo dele ou que garanta informações de hora a hora, por exemplo, nos momentos mais importantes, do processo médico”.

Na segunda-feira, a diretora-geral da Saúde dissera que o português, canalizador no navio de cruzeiros atracado no porto japonês de Yokohama, seria enviado esta madrugada para um hospital de referência local.

Graça Freitas explicou que os sintomas do tripulante do navio de cruzeiros Diamond Princess indicavam que a situação não fosse grave e expressou a sua “empatia e simpatia” para com a família do trabalhador português, cuja mulher tem manifestado, em declarações à comunicação social, queixas de falta de acompanhamento da situação do marido.

A responsável afirmou que inicialmente havia suspeitas de infeção entre oito portugueses que estavam no navio - três passageiros e cinco tripulantes.

Os passageiros não acusaram a doença e, dos tripulantes, quatro tiveram resultados negativos.

Quanto a Adriano Maranhão, canalizador no Diamond Princess, não tinha inicialmente sintomas, mas o exame revelou-se positivo.

O surto do Covid-19, que começou na China no final do ano, já matou 2.700 pessoas e infetou mais de 80 mil, de acordo as autoridades de saúde de cerca de 30 países afetados.

Além de 2.663 mortos na China continental, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Hong Kong, Filipinas, França e Taiwan.

Em Portugal, já houve 14 casos suspeitos, que resultaram negativos após análises, estando um novo caso a ser avaliado.

Um tripulante português de um navio de cruzeiros que se encontra de quarentena no porto de Yokohama, no Japão, foi declarado infetado e foi esta madrugada transferido para um hospital japonês.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e alertou, na segunda-feira, para uma eventual pandemia, considerando muito preocupante o aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.